16 abril 2026
Potencial turístico do património ferroviário em destaque na conferência ‘Turismo Industrial e Ferroviário’
Iniciativa no Museu Nacional Ferroviário reuniu especialistas nacionais e internacionais e apontou caminhos para a valorização dos territórios, em particular do Vouga e do Dão
O Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento, recebeu no dia 15 de abril, a conferência “Turismo Industrial e Ferroviário”, que reuniu responsáveis institucionais, investigadores e especialistas nacionais e internacionais para debater o papel da ferrovia enquanto recurso turístico, cultural e económico.
A conferência assinalou o arranque público do projeto “Viajar no Tempo, Ferrovia entre o Vouga e o Dão”, que tem como objetivo valorizar o património ferroviário associado aos territórios de Vouzela, Tondela e Oliveira de Frades, promovendo a criação de experiências turísticas diferenciadoras e sustentáveis.
No início da sessão de abertura, o anfitrião do evento, Manuel de Novaes Cabral, presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário, destacou a importância de receber esta reflexão “num dos melhores museus ferroviários do mundo”. “O turismo não seria o mesmo sem o comboio”, lembrou.
Guiomar Messias, chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, uma terra “profundamente ligada à ferrovia”, sublinhou que ”o património ferroviário tem a capacidade de contribuir para a dinamização económica e para a promoção dos territórios”. Teresa Ferreira, diretora do Departamento de Dinamização da Oferta e dos Recursos do Turismo de Portugal, realçou a dimensão supramunicipal do projeto “Viajar no Tempo, Ferrovia entre o Vouga e o Dão”. “É com agrado que o Turismo de Portugal apoia este projeto”, disse.
A terminar a sessão de abertura, Carlos Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Vouzela, líder do consórcio de parceiros do projeto, explicou que esta é “uma iniciativa estruturante para o território”, uma vez que “preserva e valoriza o património ferroviário, tornando-o atrativo e oferecendo novas experiências aos visitantes”.
Três painéis mostraram boas práticas no setor
Ao longo do dia, a conferência estruturou-se em três painéis temáticos que cruzaram memória, inovação e futuro da ferrovia.
O primeiro painel, dedicado ao projeto “Viajar no Tempo, Ferrovia entre o Vouga e o Dão: uma história para contar”, reuniu representantes institucionais e territoriais. Moderados pelo jornalista Diogo Ferreira Nunes, os participantes destacaram o papel da ferrovia como elemento identitário e como base para a construção de narrativas turísticas diferenciadoras.
Anabela Freitas, vice-presidente da Turismo Centro de Portugal, frisou que este projeto está alinhado com a estratégia da entidade: “O turismo industrial tem a capacidade de provocar impactos positivos nas comunidades, que é um dos objetivos”. Nuno Martinho, secretário executivo da Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões, partilhou os resultados positivos das ecopistas do Dão e do Vouga, localizadas nos traçados das antigas linhas ferroviárias. “Atualmente, temos 115 quilómetros de vias de walking e cycling. As ecopistas são portas de entrada muito importantes para quem visita a região”, referiu, acrescentando que “o projeto hoje apresentado vai ser mais uma camada, mais um foco de atração”.
Os restantes parceiros presentes no painel – Carlos Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Vouzela, Carla Antunes Borges, presidente da Câmara Municipal de Tondela, e João Valério, presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Frades – reforçaram esta ideia, considerando que a sinergia entre os parceiros é determinante. Ao trabalharem em rede, os parceiros conseguem proporcionar experiências diferenciadoras e aumentar a atratividade do território, concluíram.
Manuel de Novaes Cabral, presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário, sublinhou ainda que, com a perspetiva da alta velocidade, “estamos num novo momento da ferrovia em Portugal”. Manifestando a esperança de assistir à reativação de linhas desativadas, lembrou que “toda a gente tem histórias ligadas ao comboio”.
O final da manhã foi dedicado a uma visita ao Museu Nacional Ferroviário, que permitiu aos participantes contactar diretamente com uma oferta inestimável de comboios e outras peças que contam a história do país.
À tarde, o segundo painel, subordinado ao tema “Turismo industrial: tendência e sustentabilidade”, colocou em destaque a crescente relevância deste segmento em expansão, capaz de atrair novos públicos e de diversificar a oferta turística. Com moderação do professor e investigador Paulo Carvalho, foram apresentados exemplos concretos de valorização do património industrial e ferroviário, com destaque para experiências desenvolvidas em Portugal e em Espanha.
Teresa Ferreira, do Turismo de Portugal, começou por apresentar a Rede Portuguesa de Turismo Industrial, seguindo-se as intervenções de Jordi Sasplugas Deu, diretor do Museu del Ferrocarril de Móra la Nova (Catalunha, Espanha), Alexandra Alves, coordenadora do Turismo e Património Industrial do Município de São João da Madeira, José Gameiro, diretor científico do Museu de Portimão, e Josep M. Pey, da consultora El Generador – proyetos turisticos y culturales (Barcelona, Espanha), que deram a conhecer os respetivos projetos, todos eles distinguidos e premiados a vários níveis.
O terceiro e último painel da conferência, sob o mote “Património ferroviário: um passado com futuro”, centrou-se na forma como o legado ferroviário pode ser reinterpretado à luz dos desafios contemporâneos. Sob a moderação de Margarida Magalhães Ramalho, historiadora, investigadora e autora do livro “Comboios com Histórias”, foram apresentados contributos que demonstram como a ferrovia pode assumir um papel relevante na promoção turística e cultural.
Participaram neste painel Pedro Moreira, Presidente da CP – Comboios de Portugal, que apontou o sucesso da estratégia turística da CP; Neil Peterson, consultor que apresentou o projeto Railway 200 (Reino Unido); António Brancanes dos Reis, presidente da APAC – Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos de Ferro, que enalteceu a missão desta associação, a qual passa por(preservar o material circulante histórico, para que os entusiastas da ferrovia possam continuar a desfrutar de viagens organizadas pelo país; e Pascal Keiser, comissário da Bourges Capital Europeia da Cultura 2028 (França), que destacou o papel essencial do transporte ferroviário para a descarbonização – e a importância deste aspeto para o que está a ser preparado em Bourges.
Sobre o projeto
O projeto “Viajar no Tempo, Ferrovia entre o Vouga e o Dão” resulta de uma candidatura aprovada pelo Turismo de Portugal, no âmbito do Programa Transformar Turismo – Linha Regenerar Territórios, e tem como entidades promotoras o Município de Vouzela, o Município de Tondela e a Fundação Museu Nacional Ferroviário.