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06 novembro 2026

Museu Nacional Ferroviário acolheu a estreia da obra musical "POUCA TERRA"

O Museu Nacional Ferroviário acolheu a estreia da obra musical "POUCA TERRA", encomendada pela FMNF para assinalar os 170 Anos do Caminho de Ferro em Portugal. Apresentado nas emblemáticas Oficinas do Vapor com, a obra articulou música e palavra, evocando o comboio como símbolo de modernidade e espaço de memórias partilhadas.

Museu Nacional Ferroviário acolheu a estreia da obra musical

No âmbito do programa comemorativo dos 170 Anos do Caminho de Ferro em Portugal, o Museu Nacional Ferroviário (MNF) acolheu, no dia 31 de outubro, a estreia da obra musical "POUCA TERRA", uma criação encomendada pela Fundação Museu Nacional Ferroviário (FMNF) para assinalar esta data histórica, com autoria do compositor César Viana e produção da Musicamera Produções.

Através da articulação entre a linguagem musical e a palavra, a obra evocou a dimensão simbólica do comboio como vetor de modernidade, progresso e transformação social.

O concerto teve como palco as emblemáticas Oficinas do Vapor, um local escolhido não só pela carga histórica e memória que preserva, mas também pelo comportamento acústico excecional e pela forma única como o som se propaga e ecoa.

A criação artística interdisciplinar, concebida para ensemble e quatro vozes, cruza palavar e música a partir de textos de  Almeida Garrett, Andreia Faria, César Viana, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Frederico Pereira, Jorge Roque, Luís Quintais, Marquesa de Rio Maior, Marta Chaves, Pedro Mexia, Rita Taborda Duarte e Zetho Cunha Gonçalves.

Sobre a Obra:  POUCA TERRA - Melodrama Ferroviário (Texto do compositor César Viana)

Concebida a propósito dos 170 anos do caminho de ferro em Portugal, "POUCA TERRA" propõe uma viagem pela história, pela memória e pelo imaginário ferroviário. Entre anúncios de estação, relatos históricos, textos literários, episódios do quotidiano e pequenas ficções, sucedem-se quadros que evocam o entusiasmo das primeiras viagens, a pressa da vida moderna, os encontros e as despedidas, mas também os acidentes, as linhas encerradas e as desigualdades que o progresso não conseguiu eliminar.

A música acompanha esta viagem com uma diversidade de linguagens, alternando momentos de humor, evocação, tensão dramática e lirismo. A sucessão de episódios não pretende construir uma narrativa contínua, mas antes reunir diferentes olhares sobre uma experiência que, ao longo de gerações, transformou a nossa relação com o tempo, o espaço e os outros.

O subtítulo "melodrama ferroviário" remete para o melodrama enquanto género musical, no qual a palavra declamada se articula com a música instrumental. É esse o procedimento predominante na obra, embora se integrem também números cantados e episódios puramente instrumentais. O termo é, portanto, utilizado no seu sentido histórico-musical, e não na aceção corrente de drama sentimental.

Entre a memória e o presente, "POUCA TERRA" recorda-nos que o comboio continua a ser um lugar de experiências partilhadas, de descobertas e de encontros. E que, apesar de tudo, a viagem continua.

Reforçando o compromisso contínuo do Museu Nacional Ferroviário com a acessibilidade e a inclusão, a apresentação contou com interpretação em Língua Gestual Portuguesa (LGP).